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O verdadeiro ápice da raça humana ainda está por vir, e não está longe

Fazendo pesquisas e estudando para meu artigo científico de conclusão de curso na pós  terminei de ler o livro “Muito Além do Nosso Eu”, de Miguel Nicolélis e tive a oportunidade de visualizar um futuro tecnológico muito além daquele que maginava – e acredito que a maioria imagina -, deslumbrante e surpreendente, para não dizer surreal. Seguindo a deliciosa linha de raciocínio baseada em anos de pesquisa desse ilustre brasileiro, me imaginei daqui a 50 anos imaginando como as pessoas a 50 anos atrás eram atrasadas, prisioneiras e com poucas possibilidades de experiências. O verdadeiro ápice da raça humana ainda está por vir, e não está longe. Leia um pequeno trecho desse livro abaixo e entenda por que.

 

“Eu defendo a tese de que, nas próximas décadas, ao combinar essa visão relativística do cérebro com nossa crescente capacidade tecnológica de ouvir e decodificar sinfonias neuronais cada vez mais complexas, a neurociência acabará expandindo a limites quase inimagináveis a capacidade humana, que passará a se expressar muito além das fronteiras e limitações impostas tanto por nosso frágil corpo de primatas como por nosso senso de eu.

 

Eu posso imaginar esse mundo futuro com alguma segurança baseado nas pesquisas conduzidas em meu laboratório, nas quais macacos aprenderam a utilizar um paradigma neurofisiológico revolucionário que batizamos de interfaces cérebro-máquina (ICM). Usando várias dessas ICMs, fomos capazes de demonstrar que macacos podem aprender a controlar, voluntariamente, os movimentos de artefatos artificiais, como braços e pernas robóticos, localizados próximo ou longe deles, usando apenas a atividade elétrica de seus cérebros de primatas. Essa demonstração experimental provocou uma vasta reação em cadeia que, a longo prazo, pode mudar completamente a maneira pela qual vivemos nossas vidas.

 

Para testar as diferentes versões de ICMs, nós desenvolvemos uma nova abordagem experimental para “ler” simultaneamente os sinais elétricos produzidos por centenas de neurônios que pertencem a um circuito neural. Essa nova tecnologia foi desenvolvida de início como uma forma de testar o ponto de vista dos distribucionistas: que populações de neurônios individuais, comunicando-se com outros grupos de neurônios ao longo de diferentes regiões cerebrais, definem o arcabouço neurofisiológico que arquiteta e constrói todos os nossos comportamentos. Uma vez demonstrada a possibilidade de ouvir algumas das sinfonias neuronais motoras compostas pelo cérebro de primatas, decidimos ir além e não só registrar, mas também decodificar e transmitir — até os confins do outro lado do planeta — os pensamentos motores de um cérebro muito semelhante ao nosso. A partir daí, conseguimos traduzir esses pensamentos motores em comandos digitais que puderam ser usados para gerar movimentos em máquinas que foram criadas sem nenhum intuito de reproduzir a intenção dos pensamentos de um primata. Nesse momento, nossas ICMs se depararam, quase que por acidente, com uma forma de liberar o cérebro das restrições impostas pelo corpo e, nesse processo, permitir que o sistema nervoso de primatas controlasse diretamente o funcionamento de ferramentas virtuais, eletrônicas e mecânicas, como forma de expressar seus desejos mais íntimos de interação e exploração do mundo ao seu redor. Apenas por meio do pensamento.”

 

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