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O Brasil contra Copa

 

Por muito tempo pensei que estava sozinho ou acompanhado de poucos nas minhas colocações, nas minhas falas e nos meus posicionamentos. Acreditava está na contramão de uma sociedade alienada, passiva e que facilmente era ludibriada e conduzida na política do pão e circo. Sempre fui ferrenho crítico da supervalorização do futebol em detrimento da luta social, do engajamento político e do ativismo político.

 

Não é possível descrever minha alegria, minha empolgação e minha satisfação em ver que não estou sozinho nessa luta, que não sou o único que acha um imenso absurdo o governo gastar bilhões de reais para construir estádios que serão usados pela FIFA para encher ainda mais seus cofres. Enquanto os serviços públicos são horrendos, os hospitais não funcionam os serviços de transporte são vergonhosos o governo miraculosamente encontrou bilhões para construir estádios que servem apenas aos interesses privados de corporações internacionais.

 

Muitas vezes as pessoas esquecem que o poder é do povo e nós o delegamos, temporariamente, aos governantes que são eleitos para trabalhar para nós, como servidores públicos e que por ser um poder delegado pode ser revogado a qualquer momento. Se esses governantes não atuam de forma que justifiquem seus altos salários e mordomias é um direito pleno e imediato do povo de ir às ruas e dizer que estamos insatisfeitos.

 

Tenho a convicção que foi justamente a violência da polícia (que é composta por servidores que deveriam SERVIR à população) e o discurso belicista e arrogante do governo paulista que fez o movimento crescer. Uma frase de um cartaz de uma manifestação de hoje traduziu esse espírito: “Ou os governantes nos ouvem ou vamos tirá-los de lá!”.

 

Não há justificativa, argumento ou conversa mole que consiga explicar o fato de os governos sempre dizerem que falta dinheiro para as coisas mais essenciais e facilmente arrumarem bilhões (a cifra está perto de 10 bilhões) para construir estádios, que numa escala de prioridade ocupariam o lugar depois da última posição. Na verdade essas construções atendem aos interesses das construtoras (principais financiadoras das campanhas políticas) e da grande mídia que tem contratos comerciais com a FIFA e CBF. Esse é o verdadeiro motivo da realização da copa do mundo no Brasil. Além disso, foi utilizada a velha estratégia de atrasar para ganhar mais. As construtoras, conhecendo a legislação, atrasam as obras para depois conseguirem renegociações de contrato, recebendo do governo ainda mais milhões. O estádio de Brasília, por exemplo, foi orçado em cerca de 800 milhões (o que já um absurdo de dinheiro) e depois pulou para 900, depois para 1 bilhão e depois para 1.2 bilhões.

 

Talvez as pessoas não consigam mensurar quanto dinheiro 1.2 bilhão é, mas com certeza esse dinheiro daria para construir inúmeros hospitais, escolas e melhor significativamente o transporte público.

Foi indignante ver pessoas irem às ruas e serem agredidas e enxotadas como ratos das ruas, simplesmente por estarem protestando. Essa revolta minha está sendo compartilhada pelas pessoas em todo o Brasil, tanto que os protestos nas outras capitais do Brasil dizem levar como lema o apoio aos protestos de São Paulo e a indignação com a violência, além de serem contra os gastos com a Copa. Apesar de haver partidos políticos esquerdistas querendo se aproveitar está ficando muito claro que esse é um movimento popular, espontâneo e descentralizado. Pode-se ver que nos protestos de São Paulo de hoje vários manifestantes vaiaram outros manifestantes (minoria) que carregavam bandeiras do PSTU.

 

Que esse movimento cresça e se agigante. Que ao invés dos 100 mil manifestantes que comparecerão hoje no Rio consigamos levar milhões às ruas. Que esse movimento não seja passageiro, mas seja ordeiro e constante. Que a população mostre sua indignação e EXIGA que os governantes governem efetivamente de acordo com o interesse público.

Quinta feira há uma manifestação marcada aqui na minha cidade, Salvador, e estarei lá. Vamos todos para as ruas!

Amon Caldas

Uma resposta para “O Brasil contra Copa”

  1. Filipe Rocha disse:

    Não podia esperar menos de você
    Faco suas palavras as minhas

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